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GTs Aprovados

EIXO TEMÁTICO 01. Juventudes e relações étnico-raciais
Identidades negras: memórias, posicionamentos e práticas educativas

Coordenadorxs: Maria de Fátima Vasconcelos da Costa (Universidade Federal do Ceará), Elaine Lima do Nascimento (Associação da Comunidade Remanescente do Quilombo Barro Branco), Marcelle Arruda Cabral Costa (Universidade Federal do Ceará)

Considera-se que nas atuais circunstâncias históricas em que se debate a sociedade brasileira, face ao desmonte de políticas públicas em prol do combate à desigualdade de direitos entre os diferentes grupos étnicos que constituem a nacionalidade, se impõe o aprofundamento da discussão do tema proposto pelo alcance dos seus desdobramentos e seu impacto nas populações mais jovens. Temos, como ponto de partida, o trabalho seminal de Frantz Fanon, para quem as formas imaginárias de representação do outro, entre negros e não-negros, precisam ser compreendidas como efeito congênito do projeto colonial. Para isso, necessário se faz, por um lado, identificar os dispositivos que contribuem para a obliteração da memória do povo negro e para as desiguais condições de acesso aos bens coletivamente produzidos e para o exercício de direitos, em especial o direito à educação.  Por outro lado, descerrar o véu que invisibiliza a rica contribuição da cultura negra para a formação social brasileira, bem como a épica jornada das populações afro-brasileiras e africanas na desconstrução do racismo. Desde o final dos anos 70, assiste-se a uma intensificação da mobilização da militância negra, reivindicando do estado políticas compensatórias das desigualdades históricas e o reconhecimento público do negro como sujeito de direitos, inclusive nos contextos de suas tradições. Tal discurso começa a se consolidar como política de estado, com a Constituição de 1988, quando finalmente se reconhece o direito à terra às populações quilombolas e, com amparo num recente marco legal/institucional, aos poucos, se implementam políticas de ação afirmativa para os grupos historicamente excluídos do gozo de direitos. A questão quilombola nasce umbilicalmente ligada à questão fundiária, num contexto de invisibilização das tradições da cultura negra, de ausência nos levantamentos estatísticos oficiais, de sub-representação nas instâncias de decisão política e de dificuldade de acesso ao trabalho digno e à educação. Por sua vez, no meio urbano, assiste-se a alarmantes práticas de controle e extermínio da juventude negra e polêmicas disputas de espaços de visibilidade social desses grupos. Nesse sentido, fazer valer a voz desses atores sociais tem implicações importantes tanto do ponto de vista da micro quanto da macro política. O GT se propõe a dinamizar o debate em torno das relações etnorraciais, acolhendo: resultados de pesquisas afinadas com a temática do GT, desenvolvidas por pesquisadores e estudantes de pós-graduação, cujas pesquisas ainda estejam em andamento; relatos de experiências e produções artístico-culturais alinhadas com as diretrizes do Estatuto da Igualdade Racial, de modo a contemplar a pluralidade de contextos experienciais (grupos urbanas e comunidades quilombolas, de educação formal ou informal), diferentes linguagens e abordagens metodológicas, bem como diferentes recortes etários, em particular, aquele delimitado pelo segmento jovem.

 

Juventude e escola: o que o racismo tem a ver com isso? Identidades étnico-raciais nas instituições educacionais, no currículo e nos livros didáticos

Coordenadorxs: Maria Cristina Giorgi (CEFET-RJ), Isabela Bastos de Carvalho (IFF – MARICA), Natasha Fernandes Mendes Brasil (COLÉGIO PEDRO II)

Apesar dos avanços significativos em relação à educação para as relações étnico-raciais, mediante a promulgação de leis que influenciam não só no processo de elaboração do currículo como na inserção dos povos indígenas, negros, quilombolas através da política de cotas, ainda nos deparamos com o silenciamento do tema do ponto de vista institucional. Em tempos em que o papel do professor vem sendo questionado e, de forma arbitrária, redefinido pela política, é essencial que as escolas tenham como objetivo contribuir para a formação cidadã do discente mediante o efetivo conhecimento e desenvolvimento de suas habilidades. Essas instituições de ensino – fundamentais para a construção de subjetividades, e, ao mesmo tempo, marcadas e atravessadas pela configuração social – devem desenvolver uma ação pedagógica que contribua para o processo de aprendizagem de cada aluno, visando, por meio do acesso aos conhecimentos científicos, diminuir preconceitos, em especial o racismo. Desse modo, nos alinhamos a Kabengele Munanga (2005) quando afirma que a educação possibilita a jovens e adultos processos de questionamentos e desconstrução dos mitos que hierarquizam os diversos grupos humanos, frutos da sociedade racista a qual pertencemos.  Entendemos, pois, que a mudança de pensamento da sociedade começa nos bancos escolares, e é comum muitos pais delegarem toda a educação como função da escola. Nesse espaço, portanto, é que ocorrerão as trocas, a construção do conhecimento e o reconhecimento da identidade, uma vez que a escola deve ser o principal local de manifestação democrática e cidadã. Levando em consideração que a juventude passa grande parte da vida nas instituições de ensino, é preciso discutir também sobre o tipo de currículo a que ela está submetida, e, de acordo com Tomaz Tadeu da Silva (1999), este precisa se renovar, para que se possa respeitar todas as identidades sociais. No currículo, inserem-se também os livros didáticos, implantados no Brasil inicialmente no contexto da ditadura militar, e que ainda hoje exercem forte influência na educação. Cabem as indagações: esses livros invisibilizam ou valorizam a população negra e indígena, bem como outras identidades de raça? Como a escola pode contribuir nesse aspecto? Assim, é importante destacar que reconhecemos a fluidez das identidades, não fechadas em si mesmas, dentro de uma visão bakhitiniana sobre os conceitos (principalmente sobre raça), que não devem ser essencializados. Este GT, portanto, pretende discutir quais ações estão sendo realizadas nos diversos níveis educacionais, da educação infantil à pós-graduação, para contemplar a temática étnico-racial nas ementas dos componentes curriculares, na organização do trabalho escolar e nos livros didáticos, de forma a garantir uma formação plena, respeitando as identidades étnicas dos indivíduos. Receberemos trabalhos oriundos de experiências, estudos e pesquisas que versem sobre o impacto da educação para as relações étnico-raciais na construção de identidades, no combate do racismo e da discriminação, além de pesquisas sobre o resultado das políticas públicas de ação afirmativa, nas formas de relatos de pesquisa e/ou de experiência.

 

Juventudes Indígenas

Coordenadorxs: Lucia Helena Vitalli Rangel (PUC SP), Antônia da Silva Santos (UFRB – UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA), Caroline Farias Leal Mendonça (UNILAB)

A proposta deste Grupo de Trabalho é reunir pesquisadores e pesquisadoras, indígenas e não indígenas, para divulgarem suas pesquisas e estreitar laços de reciprocidade acadêmica e política a respeito das juventudes indígenas na atualidade. O objetivo principal é analisar a inserção/participação dos jovens nos espaços educacionais, movimentos indígenas e arenas sociais de negociação de políticas públicas e direitos, assim como suas expressões culturais, seus acessos ao mundo virtual, suas novas responsabilidades, usos das línguas indígenas, da memória intergeracional, das tradições, abordagens com recortes de gênero, sexualidade e raça, e com foco nas relações com os museus indígenas e artes.

Seja em contexto urbano, seja nas terras indígenas, as perguntas que podem ser dirigidas aos e às jovens indígenas e às formas de sociabilidade no tempo presente abarcam as experiências familiares, a vida comunitária, a migração, as demandas por escolaridade em todos os níveis, as vivências religiosas, o lazer, a criatividade, a arte e os desejos, isto para se tornarem mais visíveis ou invisíveis, para configurar a relação/tensão com a modernidade/colonialidade e a construção do ser indígena na modernidade e/ou ser moderno na indianidade.

A dinâmica histórica, social operou, e opera,  mudanças espaciais, geracionais e políticas, entre outras, no âmbito das sociedades indígenas no Brasil, na América Latina e em todas as partes do mundo, colocando em discussão a relação entre geração e etnicidade no campo de construção das juventudes indígenas, suas identidades, demandas sociais e formas de atuação.

Nos contextos urbanos as famílias indígenas e, consequentemente, as crianças e os jovens levam a vida no estilo da classe social, ou da situação sócioeconômica na qual estão inseridas. No bairro, na favela, na escola, na igreja e, sobretudo, no ambiente de trabalho procuram a indiferenciação, ocultando seus vínculos de pertencimento aos povos de origem. Alegam desconhecimento a respeito de saberes, terapêuticas, ritos, mitos e línguas que, porventura, fariam parte de suas tradições. Entre o medo de exposição e a vergonha do pertencimento, os jovens acabam por descobrir os direitos indígenas e algumas políticas públicas que lhes conferem acesso a benefícios e tratamento diferenciado. O único modo de escapar à recusa do Estado em reconhecer os indígenas que vivem nas cidades tem sido a articulação política, a participação nos eventos e nos Conselhos que o Estado oferece, no caso do Brasil.

Nas terras indígenas, nas aldeias, as crianças e os jovens seguem as etapas da vida social tal como sua comunidade realiza atualmente. Os ritos de passagem, mesmo que modificados, continuam a marcar a referência para a vida adulta. Os jovens homens são guerreiros, as mulheres são mães; ambos estão se preparando para assumir as responsabilidades e as obrigações rituais e sociais que lhes cabem na vida adulta, através do casamento, da paternidade e da maternidade.

Os contextos diferenciam as diversas maneiras de ser jovem, embora essa seja uma categoria em construção, implicando a luta por reconhecimento, contra a discriminação e o racismo.

 

EIXO TEMÁTICO 02. Juventudes, violência e conflito
Juventude, Criminalização e Políticas Públicas: impasses e enfrentamentos

Coordenadorxs: Ilana Lemos de Paiva (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Assis da Costa Oliveira (Universidade de Brasília), Luana Isabelle Cabral dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

Há duas visões predominantes acerca da juventude, uma que a considera um problema social, que requer ações de controle social do tempo livre e de repressão e outra que considera os jovens uma esperança para o futuro, atores estratégicos do desenvolvimento. Segundo dados do Mapa da Violência, a juventude é o grupo social mais afetado pelas distintas formas de violência e, especificamente, pelos homicídios. Diuturnamente se culpabilizam e criminalizam os jovens pobres, negros e residentes dos bairros mais periféricos das grandes cidades. Este é o perfil dos adolescentes que se encontram no sistema socioeducativo, privados de liberdade, ou vítimas de “mortes matadas”, configurando um verdadeiro quadro de extermínio da juventude pauperizada no país. O perfil das mortes e homicídios segue inalterado nos últimos anos: jovens homens (93,9%), negros, moradores das periferias urbanas. Assim, a partir dos dados que se repetem, sem resolutividade por parte do Estado, no Brasil, a partir dos 15 anos de idade, aumentam consideravelmente as possibilidades de jovens pobres morrerem assassinados por arma de fogo. Além dos dados estarrecedores de homicídios envolvendo a juventude pauperizada, temos, por outro lado, um sistema de justiça juvenil que atua implacavelmente junto a um perfil específico de adolescentes que, no contexto da prática do ato infracional, convive com uma série de vulnerabilidades, como defasagem escolar, falta de referências familiares, uso de drogas, pobreza extrema. Um elemento complicador dessa situação é a questão do endurecimento punitivo contra esses mesmos jovens, o que figura como mais uma forma de violência – institucional, muitas vezes – que ameaça a sobrevivência de adolescentes e jovens, como também prejudica seu bem-estar e perspectivas futuras, deixando sérias cicatrizes físicas, emocionais e psicológicas. Dessa forma, o objetivo da presente proposta é discutir os principais desafios para compreender e enfrentar a complexidade da questão da violência e a relação com a juventude na atualidade. Os resumos dos trabalhos de comunicação oral (CO) deverão ter relação com o eixo “juventudes, violência e conflito”, de forma mais ampla, apresentando uma discussão dos temas de relevância no eixo, quais sejam: dados e discussões mais gerais sobre acesso a direitos e políticas públicas juvenis, políticas de encarceramento e consequências para a juventude, homicídios juvenis, sistema socioeducativo, genocídio ou extermínio da juventude negra, mídia e juventude, politicas de enfrentamento à violência contra a juventude, entre outros assuntos correlatos e de interesse do GT. Os resumos também deverão ser originários de projetos de pesquisa finalizados/em andamento ou relatos de experiência profissional e/ou extensão acadêmica. Serão avaliados os seguintes aspectos: clareza na expressão de ideias; objetividade e coerência entre os aspectos abordados; análise crítica do conteúdo abordado; contextualização do tema; se possui objetivos, método e conclusão (quando for o caso). Trabalhos já apresentados em outros eventos não serão aceitos, assim como, ensaios, entrevistas, resumos ou resenhas de textos/artigos/livros.

 

Juventude, Violência e Mediação de Conflitos Escolares

Coordenadorxs: Sinara Mota Neves de Almeida (Professora), Anne Larisse Pereira Rodrigues (UNILAB), Antonia Lima Sousa (Universidade Estadual do Ceará)

No Brasil, o destaque da violência como problema social nos estabelecimentos escolares se configura recente. O problema é anunciado a partir de 1980, quando ações contra o patrimônio escolar – depredações, pichações e invasões – são denunciadas e requerida a atuação do poder público. Nessa ocasião, as investidas governamentais se traduzem, principalmente, em mecanismos de segurança escolar contra agentes externos, os quais eram responsabilizados.

No atual contexto, marcado por tensões e contradições sociais que naturalizam processos de desumanização, faz-se necessária a vivência de valores como a liberdade, diálogo e justiça que se constituem como importantes bases para o respeito à vida. Nosso cotidiano evidencia contraditoriamente processos de inclusão e exclusão, humanização e desumanização, materializados na desigualdade de acesso aos direitos sociais e exposição de grande parte das famílias à violência em suas mais diferentes faces.

Nesse sentido, a escola deve assumir-se como um espaço para debate das diferentes realidades e promoção de uma visão crítica e solidária do comportamento humano. No entanto, reconhecemos as lacunas que os processos de formação de professores apresentam nos aspectos relacionados à educação em direitos humanos, o que aponta para a necessidade de fortalecimento da capacidade da escola para lidar com tais questões, manifestas através de violência, indisciplina e conflitos.

Destarte, faz-se necessária a busca de resolução de conflitos de maneira criativa e positiva. Para tanto, entende-se que os conflitos devem ser percebidos numa perspectiva de totalidade, apreendendo-se os diversos aspectos, relações e interrelações neles presentes e propondo situações que sejam inclusivas.

O processo de mediação cria uma oportunidade para que as pessoas expressem suas emoções e esclareçam seus sentimentos. Depois de resolvida a confusão emocional ou conflito de ordem subjetiva, as partes podem se dedicar às questões objetivas ou quantificáveis e negociar, ficando mais simples e fácil encontrar as soluções que atendam a todos.

A mediação de conflitos visa, assim, colaborar com a construção e o fortalecimento da cultura de paz, atuando junto à comunidade escolar – professores, estudantes, pais/responsáveis – através de atividades socioeducativas e culturais contínuas, que possibilitem a vivência de experiências cooperativas de compreensão e discussão de normas e valores. Essas alternativas de resolução de conflitos orientam-se mediante os princípios: cooperação, solidariedade, igualdade e respeito, com vistas à construção de um ambiente eficaz para as relações.

O presente GT pretende constituir-se como um círculo de diálogo sobre juventudes, violência e conflito a partir de trocas de saberes e experiências para intervenções relacionadas ao tema em pauta.

 

Juventudes na Justiça: perspectivas de efetivação de direitos

Coordenadorxs: Hebe Signorini Gonçalves (Instituto de Psicologia UFRJ), Andrea Cristina Coelho Scisleski (Universidade Católica Dom Bosco), Rafael Reis da Luz (Universidade Estácio de Sá e Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro)

Apesar dos inegáveis avanços decorrentes da promulgação da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, pesquisas têm apontado que as juventudes brasileiras – especialmente a negra, pobre e moradora das periferias – ainda estão sujeitas a inúmeras violações de direitos. No tocante à juventude, o sistema de justiça é entendido aqui como o conjunto de ações, serviços, políticas e instituições direta ou indiretamente ligadas ao Poder Judiciário, constituindo o Sistema de Garantia de Direitos (SGD). Seu desafio tem sido a garantia dos direitos nas diferentes situações em que os jovens se apresentam ou são apresentados: objetos de disputa em litígios familiares, vítimas de violências, autores de atos infracionais, entre outros. Se por um lado o sistema de justiça acolhe e visibiliza o aspecto comum dessas demandas, por outro pode também reificar certas práticas de violência. Em certos casos, as demandas dos jovens provêm de contextos econômicos, políticos e sociais produtores de desigualdades e vulnerabilidades, especialmente quando são sujeitos cujos direitos de fala, autonomia e participação são historicamente negados, sob uma cultura adultocêntrica, e que veem sequestradas suas vidas por instituições disciplinares e normalizadoras. O paradoxo que se estabelece é que o sistema de justiça, ao invés de promover uma contracorrente histórica nesses casos, induz práticas de segregação social a partir de discursos de naturalização da delinquência e de práticas estigmatizantes. Além disso, ainda que embasados em pressupostos jurídicos e técnicos, muitas vezes questões de senso comum perpassam os equipamentos do sistema judicial e permitem que os jovens sejam tratados a partir de vieses que sublinham certa amoralidade ou psicopatologia individual desses sujeitos, em vez de jogar luz no arranjo social produtor da violação de seus direitos. Os trabalhadores sociais – psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, advogados, entre outros – têm lugar destacado nesse processo. O SGD não só depende da ação desses técnicos como se alimenta dos princípios que essa ação opera e, por isso, não pode ser concebido como entidade autônoma, mas antes como resultante dos posicionamentos e ações do coletivo de trabalhadores sociais, cuja intervenção é mister problematizar. Tendo essas reflexões como base, este GT visa compartilhar e discutir pesquisas e experiências com e sobre as juventudes no âmbito da justiça. São bem-vindos trabalhos que abordem diferentes temáticas em intercessão com o sistema de justiça: implicações sociais ou psicológicas de adolescentes envolvidos em litígios familiares; adoção tardia; adolescentes em situação de violência familiar; criminalização das juventudes; juventudes e direitos humanos; projetos sociais ou metodologias de trabalho com adolescentes em situação de risco ou vulnerabilidade social; acompanhamento ou avaliação de medidas socioeducativas; articulação e fortalecimento de rede a partir do sistema de justiça. O objetivo do GT é problematizar nossas próprias produções, colocando em análise os procedimentos normalizadores e os procedimentos potencializadores da vida dos jovens brasileiros.

 

EIXO TEMÁTICO 03. Juventudes e seus territórios (Campo e Cidade)
Artes, medo e resistências juvenis em territórios de violências

Coordenadorxs: Ricardo Moura Braga Cavalcante (Universidade Federal do Ceará), Francisco Rômulo do Nascimento Silva (UECE), Geonani Javó de Freitas (UECE)

Nos bairros socialmente estigmatizados, adolescentes e jovens são assassinados com uma constância que já não mais causa surpresa aos demais moradores. São mortos que já eram considerados mortos no plano das hierarquizações simbólicas da gramática moral que orienta os habitantes da cidade. Tal situação encontra-se mais presente em territórios que podem ser compreendidos como “campos”, na terminologia de Agamben, onde se é permitido eliminar os seres indesejáveis, onde o Estado cumpre de maneira indolente seu papel de garantir a segurança de todas as vidas e não somente das pessoas consideradas “cidadãs”. São áreas em que o Estado nem sempre mata, mas deixa morrer. Tal situação se faz presente nas ocupações, nas áreas de risco, nos interstícios urbanos que se criam às margens de largas avenidas e grandes prédios. Todos esses espaços são loci de circulação/reprodução de gerações inteiras cuja existência podem ser percebidas como “vidas nuas” habitando espaços que propomos definir teoricamente como territórios de exceção. No entanto, é em meio a esse mesmo cenário de conflito conflagrado que adolescentes e jovens resistem e constroem sociabilidades que buscam sedimentar uma trilha que vá além do ingresso no mundo do crime ou da mera assimilação passiva do papel social que lhes é imposto como moradores de periferia. Os veículos para que isso ocorra são os mais diversos: oficinas de arte, grupos culturais, associações esportivas, comunicação comunitária, entre outras agências. Denominamos frouxamente de “artes” todas essas manifestações a fim de ampliar o escopo de atividades desenvolvidas pelas juventudes em contextos de violência. Entendemos que a arte também é uma forma de resistência. Criar é resistir efetivamente, como dizia Deleuze. Mais que reforçar oposições ou perpetuar concepções estigmatizantes dos jovens e de seus espaços de atuação, nos interessa a produção de multiplicidades mobilizadoras de afetos. Pal Pelbart enfatiza o caráter diagonal, híbrido e flutuante dos posicionamentos sociais na pós-modernidade, dissolvendo assim os modelos identitários estanques e a cartografia naturalizada dos centros/periferias. Mapear essas micropolíticas de resistência, registrar trajetórias juvenis e abrir espaço para as reflexões teóricas que emergem dessas vozes é o objetivo deste GT. Para tanto, estamos recebendo trabalhos que se insiram na proposta de uma antropologia da resistência, situada em um contexto social de medo e violência disseminados, mas que compreenda a arte e a comunicação como ferramentas de inclusão social, de denúncia e da constituição de lutas subjetivas. A intenção é, seguindo Sherry Ortner, não só compreender os meios criativos com os quais os agentes desafiam o modo como a ordem existente pode ser construída, mas esboçar as visões alternativas de futuro incorporadas em tais movimentos. Trata-se, portanto, de fazer crítica ao modelo vigente e, ao mesmo tempo, propor estudos que deem relevo às alternativas criadas para a superação dessa realidade tendo como foco os jovens como protagonistas e portadores de possibilidades.

 

Juventudes Rurais

Coordenadorxs: Nilson Weisheimer (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHAIA), Lucas Coradini (Professor), Maria de Assunção Lima de Paulo (Universidade Federal de Campina Grande)

Reconhecemos que a juventude é uma categoria socialmente construída, que vive uma condição específica do curso da vida definida como transicional. Ela figura como uma categoria relacional fundada em representações sociais que conferem sentidos ao pertencimento a certa faixa etária e posiciona os sujeitos jovens na hierarquia social, atribuindo-lhes papéis sociais através dos processos de socialização que marcam as transições da infância à vida adulta. Considerando esse processo juvenil como um “complexo processo de negociação” (PAIS, 2003, p.44), percebe-se que não há uma forma única de transição, como várias serão as formas de ser jovem. Este processo de negociação realiza-se de maneira diferenciada em cada situação juvenil, entendida como os diversos percursos experimentados pela condição juvenil e que traduzem as diversas configurações da realidade social vivida pelos jovens. Esse fenômeno também se processa no meio rural. Assim, um olhar atento à realidade dos jovens nesse espaço social percebe que nele se encontram diferentes situações juvenis vivenciadas por jovens que compartilham o fato de terem o rural como seu lugar de vida. No meio rural brasileiro encontram-se diferentes formações sociais, modos de vida, ralações sociais e processos de socialização que fazem emergir todo um feixe de situações juvenis diferenciadas. Neste sentido, só é possível compreender a noção de  juventudes rurais como uma categoria síntese de múltiplas realidades, às quais nos interessam investigar para descortinar a própria condição juvenil no Brasil contemporâneo. Esse Grupo de Trabalho busca por em evidência a diversidade das juventudes rurais e de seus modos de vida abordando questões como: os processos de socialização e as sociabilidades juvenis no campo; a sucessão geracional e a reprodução social da agricultura familiar e seus impasses; as identidades juvenis e expressões culturais dos jovens; inserção dos jovens no mundo do trabalho; os projetos juvenis (de escolarização, de profissão e de vida); as dinâmicas das migrações e os percursos juvenis entre campo e cidade; a educação no e do campo na perspectiva dos jovens; as formas de ação coletivas, o associativismo juvenil e o engajamento dos jovens nas lutas no sociais no campo; as políticas públicas para as juventudes rurais. Dessa maneira esse GT visa dar prosseguimento aos debates realizados em edições anteriores do JUBRA, abrigando trabalhos que versam sobre a diversidade das juventudes rurais. Destacamos, entre tantas formas de vulnerabilidade ainda persistentes entre as juventudes rurais, sua situação de invisibilidade social, com reflexos negativos em direitos sociais e garantias de políticas publicas que assegurem a transição à vida adulta com autonomia e qualidade de vida no campo. Com efeito, o GT proposto poderá contribuir para difundir as pesquisas empíricas que tomam os jovens nos contextos rurais como sujeitos da análise, promovendo o intercâmbio entre os pesquisadores da temática, ao mesmo tempo em que poderá contribuir para lançar novos olhares analíticos e interpretativos sobre a especificidade da condição juvenil no campo e sua diversidade de situações.

 

Juventudes sem fronteiras: diásporas, migrações e mobilidades juvenis

Coordenadorxs: Elcimar Simão Martins (UNIVERSIDADE DA INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL DA LUSOFONIA AFRO-BRASILEIRA), Alexandrino Moreira Lopes (ICEN), Hilton Pereira da Silva (Universidade Federal do Pará (UFPA))

O mundo tem passado por complexas, múltiplas e aceleradas transformações, especialmente da década de 1990 em diante. O processo de reestruturação produtiva, a flexibilização do mundo do trabalho, os avanços da comunicação e tecnologias digitais, o fenômeno da globalização, a redefinição do papel do Estado, entre outros elementos, são evidências de mudanças em escala planetária.

Nesse processo as juventudes têm sido afetadas em múltiplas dimensões, sentidos, e significados, em que as diásporas, migrações e mobilidades humanas se configuram como um fenômeno multifacetado. São diversas as razões pelas quais jovens cruzam fronteiras em processos diaspóricos, de migrações e mobilidades. A diáspora, em sua acepção mais histórica, relaciona-se com o fenômeno de deslocamentos forçados de africanos pela dinâmica de escravagistas mercantis que perduraram até o final do século XIX. Valter Silvério e Cristina Trinidad (2012) fazem importante (re)contextualização do conceito situando-o na interface com o Brasil. A matriz teórica de Stuart Hall (2003) e Avtar Brah (1996) são aportes teóricos do presente GT na discussão sobre diáspora e sua cartografia.

Sem desconhecer que guerras e variadas formas de violências, em contextos de privação de direitos e/ou liberdades impulsionam processos diaspóricos, há que se reconhecer que na contemporaneidade outros elementos estimulam tais processos, em que a educação assume centralidade nessas dinâmicas de mobilidades juvenis. Histórias e projetos de vida se entrecruzam tendo no acesso à escolarização em níveis básicos e superior possibilidades de ruptura com um estado de coisas em que as assimetrias regionais ou entre países produziram historicamente desigualdades sociais.

As juventudes, especialmente aquelas situadas em países periféricos tem cruzado fronteiras, céus e mares em busca de sonhos, de oportunidades que lhes possibilitem viver o mundo em condições de dignidade humana, como sujeitos de direitos. Para além de movimentos diaspóricos mundo afora, de situações de refugiados em que o Brasil se apresenta como um país de acolhimento, as migrações internas no país, as mobilidades campo-cidade impulsionadas pela educação ou outros projetos de vida que reposicionem os jovens no seu lugar no mundo, são a base constitutiva dos diálogos pretendidos no presente Grupo de Trabalho (GT) proposto pelo Grupo de Pesquisa e Extensão ELOSS/UNILAB e a Casa Brasil África/UFPA no VII JUBRA.

O presente GT constitui-se como um círculo epistemológico de produção de conhecimento sobre juventudes e suas diásporas, migrações e mobilidades humanas; como um círculo de cultura de diálogos, trocas de saberes, experiências e afetos marcados por histórias e vivências em movimento entre países, assim como de estados e municípios brasileiros. Nesse processo, Comunicações Orais (CO) nas modalidades de relato de pesquisas, relato de experiências e produções artístico-culturais são a tônica do presente GT, em que a diáspora africana, latino-americana e caribenha, asiática, entre outras, aliada à migrações e mobilidades de jovens na dinâmica brasileira e de brasileiros no exterior constituem o escopo de trabalhos pretendidos para o diálogo.

 

EIXO TEMÁTICO 04. Juventudes, tempo livre, esporte e lazer
Novas tecnologias sociais na área do esporte e do lazer

Coordenadorxs: Livia Gomes Viana Meireles (Universidade Federal do Piauí), Daiany Mayara de França Saldanha (Instituto Esporte Mais – IEMais), Rodrigo de Vasconcellos Pieri

O momento atual é oportuno à promoção de reflexões e lutas sobre os protagonismos dos jovens nas mudanças sociais, bem como sobre os direitos sociais que passam a ser cada vez mais demandados  pela sociedade. Entre estes, inclui-se o direito constitucional ao esporte e ao lazer. Considerando esse contexto, o presente Grupo de Trabalho tem como objetivo reunir experiências, novas propostas de aprendizagem, metodologias e atividades realizadas no território nacional e focadas no desenvolvimento e na disseminação de novas tecnologias sociais na área do esporte e do lazer. Muitas áreas do conhecimento recaem seu olhar sobre esse fenômeno social. A Psicologia do Esporte, por exemplo, tem como um de seus objetivos compreender como a participação em práticas esportivas pode influenciar o desenvolvimento humano, bem como entender como os fatores psicológicos podem afetar o desempenho esportivo. São cada vez mais comuns os discursos que afirmam o esporte e o lazer como fundamentais em prol da qualidade de vida. Reverbera-se que a participação em atividades físicas e o esporte ajudam no processo de socialização, educação e formação de hábitos saudáveis e éticos, justamente por serem poderosas ferramentas de inclusão social e de mudança de comportamento dos indivíduos. O apoio à prática de atividades esportivas e de lazer deve ser estimulado. Do ponto de vista da saúde pública e da medicina preventiva, a participação de crianças e jovens deve ser incentivada para diminuir o número de adultos sedentários, contribuindo para uma elevação no índice de qualidade de vida. O esporte a partir desta perspectiva pode ser praticado em diferentes ambientes sociais tais como: escola, clubes, praças, projetos oferecidos por ONGs, grupos coletivos e outros setores organizados. Na maioria das vezes, são esses organismos que têm atuado no desenvolvimento e disseminação de tecnologias sociais na área do esporte e lazer, possibilitando o melhor uso dessas ferramentas na área do desenvolvimento humano e mudança social. No entanto, para que a participação em atividades esportivas e de atividade física seja realmente efetiva e alcance todas as vantagens listadas, deve haver um grande esforço de ações coletivas, aglutinação de valores e estratégias e apoio da população em geral, incluindo o poder público e a sociedade civil. Dessa forma, aqui também se faz presente a necessidade de que sejam conhecidas como estão sendo desenvolvidas novas tecnologias sociais de estímulo à prática desportiva e do exercício físico. O desafio desse Grupo de Trabalho é unir relatos de experiências, pesquisas e produções culturais e expressivas, que envolvam a participação e o protagonismo dos jovens nos diferentes espaços de desenvolvimento humano e de mudança social por meio do esporte e da atividade física, seja na influência de políticas públicas, no desenvolvimento comunitário, iniciativas-piloto ou projetos sociais. Vale ressaltar, que esse é um setor de ação transversal, multidisciplinar e intersetorial, que pode ser tanto enfatizado como processo quanto produto cultural de construção, vivência e definição de valores, diversidades, identidades, conhecimentos e competências.

 

EIXO TEMÁTICO 05. Juventudes e saúde
Jovens e saúde: desigualdades, diferenças, possibilidades

Coordenadorxs: Breitner Luiz Tavares (Universidade de Brasília), Mónica Franch (Universidade Federal da Paraíba), Pedro de Andrade Calil Jabur (UnB-FCE)

Este GT se destina à apresentação e debate de pesquisas, intervenções e formulações propositivas que articulem questões de juventude e saúde na contemporaneidade. Historicamente, a relação dos jovens com o campo da saúde aponta para vários caminhos. Por um lado, os jovens têm sido representados a partir de figurações de valores que os sujeitam a experiências específicas de saúde, adoecimento e risco. Com efeito, em nossas sociedades a juventude é entendida como um momento de plenitude vital, associado a imagens de saúde, beleza e bem-estar que tendem a afastar a preocupação social com questões de saúde para este momento da vida. Entretanto, os jovens também lideram as estatísticas de agravos e morte por causas externas no Brasil e, no mundo todo, sofrem mais diretamente, as consequências de situações de insegurança como guerras e conflitos armados, além de figurarem entre os grupos mais afetados pela falta ou precariedade dos serviços e políticas voltados à saúde sexual e reprodutiva. Por outro lado, práticas, estilos de vida e de consumo juvenis têm sido, com frequência, patologizados e medicalizados, o que tem contribuído para o controle social das expressões culturais e políticas juvenis.  Tanto as situações de vulnerabilidade que os jovens enfrentam como as classificações a que seus comportamentos estão submetidos precisam ser compreendidos em diálogo com as estruturas de produção e reprodução de desigualdades, responsáveis pelas enormes diferenças nas condições e experiências de adoecimento e cuidado entre os jovens brasileiros e de outros contextos nacionais. Assim, considerando as diferentes formas de representar e vivenciar os ciclos da vida em contextos marcados pela diversidade sociocultural, a proposta deste GT é compreender a articulação juventude/saúde em relação com marcadores sociais como gênero, classe, territórios, raça, entre outros. A abordagem preferencial será a das ciências sociais e humanas, compreendendo o processo saúde/adoecimento/cuidado em suas implicações políticas, sociais e culturais. Temáticas que poderão ser discutidas no GT incluem questões de saúde sexual e reprodutiva (gravidez, aborto, contracepção, HIV/Aids), de saúde mental (depressão, suicídios), incluindo os chamados transtornos alimentares (bulimia, anorexia) e a autolesão (cutting), bem como questões relativas ao consumo de álcool e outras drogas. Além disso, sabe-se hoje que a violência na forma de homicídios é uma das principais causas de mortes não naturais entre jovens no País. Trabalhos que tratem desse tema transversal também serão bem-vindos. O GT atende as expectativas de pesquisa dos proponentes por se tratar de temas relacionados à perspectiva dos jovens quanto à saúde e aos processos sociais referentes ao acesso aos serviços de saúde e assistência social no âmbito do SUS e das políticas públicas orientadas nesse sentido.

 

Juventudes e HIV/Aids: intersecções e (r)existência nas respostas à juvenilização da epidemia

Coordenadorxs: Degmar Francisco dos Anjos (Instituto Federal da Paraíba), Maria Rita de Cássia Macêdo (ENSP FIOCRUZ), Rafael Agostini Valença Barreto Gonçalves (Instituto Fernandes Figueira – Fiocruz)

Desde o início da epidemia de HIV/Aids, a resposta brasileira foi marcada por protagonismo de movimentos sociais na luta por direitos, conquistando a incorporação dos medicamentos antirretrovirais no sistema de saúde pública. Porém, atualmente ativistas e pesquisadores têm apontado que avanços biomédicos, no âmbito do tratamento ou da prevenção, não devem mascarar as realidades regionais, imbricadas por determinantes culturais, sociais e políticos. O aumento de novos casos de HIV em jovens acontece num cenário de  transmissão sexual elevada e da quase inexistência de programas e iniciativas direcionadas efetivamente para prevenção e enfrentamento da vulnerabilidade concentrada entre os jovens.

Destaque-se que o HIV/Aids também traz consigo processos de discriminação que são limitadores dos esforços da prevenção e tratamento. As pessoas que vivem com HIV tendem a sofrer uma dupla vitimização: pelas consequências psicofisiológicas da doença e pelo preconceito e estigma que as marginalizam. Se esse processo atinge pessoas vivendo com HIV, de um modo geral, ele é ainda mais cruel àquelas afetadas pelos efeitos das hierarquias de classe, raça, gênero e orientação sexual. Neste enquadramento, se impõe uma miríade de questões problematizadoras na busca de respostas aos desafios que a epidemia tem colocado às políticas de saúde e educação. Aponta-se também que a meta global de redução de níveis epidêmicos até 2030 não pode se afastar de uma matriz de direitos humanos e precisa estar associada à participação da sociedade e à prevenção como política pública intersetorial.

Nesse pano de fundo, inspirados na proposta do VII JUBRA, privilegiamos o diálogo com cenários atuais, que se coadunam ao tema “movimentos, experiências, redes e afetos”. Destarte, atualmente são as redes de ativismo, relações e amizades que têm sido apontadas pelos jovens como de maior liberdade e preferência para conversas e aconselhamento sobre sexualidade. São elas também que se debruçam sobre cuidados e afetos. Sendo tais redes os poucos locais que dão visibilidade às demandas da juventude sobre a ausência de políticas intersetoriais como mecanismo inovador nos espaços de sociabilidade e vivência  juvenil, no qual sexualidade, gênero, orientação sexual, raça, violência  e uso de álcool, tabaco e outras drogas formam um conjunto de temáticas cruciais para as estratégias de prevenção, mormente nos espaços de vivência juvenil.

Nesse contexto, este GT se insere no eixo temático “Juventudes e Saúde” e objetiva refletir com jovens, coletivos, profissionais de saúde e/ou educação, ativistas e pesquisadores, acerca do papel das intersecções e das (r)existências nas respostas à juvenilização da epidemia. São bem-vindos trabalhos e relatos de experiências que se ocupem do papel dos movimentos sociais no enfrentamento ao HIV/Aids e das vivências de jovens no contexto da epidemia – inclusive no âmbito da saúde mental, álcool e drogas e múltiplas formas de violência. Também serão aceitos reflexões sobre gênero e sexualidades, políticas de saúde, e outros que tenham no HIV/Aids, uma questão transversal.

 

EIXO TEMÁTICO 06. Juventudes e Movimentos Sociais
Juventude, Contestação Social e Ativismo Político no Mundo Contemporâneo

Coordenadorxs: Rodrigo Chaves de Mello (Universidade Estadual do Vale do Acaraú), João Vitor Dias da Silva (Universidade Estadual do Vale do Acaraú), Marcos Paulo Campos Cavalcante de Mello (Instituto de Estudos Sociais e Políticos –  UERJ)

Dos processos revolucionários europeus eclodidos entre os séculos XVIII e XIX ao recente ciclo de protestos globais testemunhados neste início do XXI, passando pelas barricadas estudantis de 68, pela luta norte-americana em favor da efetivação dos direitos civis ou ainda pela resistência aos regimes autoritários latino-americanos, não foram poucos os momentos em que, ao longo da história recente, pudemos acompanhar o protagonismo dos setores juvenis nos processos de contestação social e ativismo político. Tal protagonismo reservou à juventude um local proeminente na construção dos sentidos que palmilharam os caminhos de nossa atual marcha democrática, inaugurando horizontes e possiblidades para a fruição de uma vida social experenciada sob os cânones da liberdade e da igualdade. Todavia, se por um lado, conseguimos identificar a participação da juventude em movimentos sociais e políticos de contestação como uma constante ao longo de nossa história, por outro, não podemos deixar de observar as sensíveis mudanças operadas nas formas em que se definem os vínculos que regem esta atuação. Em outras palavras, podemos nos perguntar: o que é, para um jovem enraizado em um mundo global, ser um militante político hoje? A quais espaços vislumbra para depositar a sua energia contestatória e a quais horizontes mira ao atuar como um agente de transformação da realidade social? Neste sentido, face aos desafios representados pelas configurações políticas contemporâneas, o presente grupo de trabalho tem por objetivo albergar reflexões sobre as relações entre juventude, ativismo social e contestação política.

Com efeito, filiado ao eixo temático “Juventude e Movimentos Sociais”, propomos o presente GT como um espaço para o debate acerca das diversas modalidades empenhadas pela juventude contemporânea à efetivação de sua participação política nos processos hodiernos de contestação social. Assim, serão bem-vindos à nossa sessão, trabalhos articulados em torno dos temas: Juventude e novos espaços de participação política; Utilização dos ambientes virtuais como catalizadores do protesto social; Hackerativismo e Ciberguerrilha; Juventude, movimento estudantil, coletivos e partidos políticos; Juventude e o ativismo político em movimentos sociais urbanos e rurais; A inserção da juventude em movimentos sociais globais e/ou altermundialista; Juventude, Estado e esfera pública; Juventude e movimentos sociais identitários: raça, gênero e sexualidade; Juventude, movimentos anticapitalistas e antissistêmicos; Juventude e cultura política.

Recepcionaremos três modalidades de comunicações orais, a saber: i) Relatos de pesquisa desenvolvidos por pesquisadores, professores e estudantes; ii) Relatos de Experiências sobre as formas de conexão entre juventude, contestação e ativismo político e, iii) Produções artísticas/culturais familiares com a temática geral do GT, tais como exposições fotográficas, documentários, intervenções e performances.

A avaliação dos trabalhos propostos será conduzida a partir da análise acerca de sua conexão com o tema proposto pelo Grupo de Trabalho e da sua relevância e adequação a uma das modalidades de comunicação oral.

 

Juventudes, meio ambiente e agenda política dos jovens

Coordenadorxs: Tarcísio Augusto Alves da Silva (Universidade Federal Rural de Pernambuco), Sidney Oliveira Santos Silva Filho (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Wagner José de Aguiar (Universidade Federal de Pernambuco)

A relação das juventudes com o debate ambiental foi, durante o período de 2003 e início de 2015, objeto de várias ações do governo federal com destaque para as edições da Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, a criação dos Coletivos de jovens e meio ambiente, o Vamos cuidar do Brasil com escolas sustentáveis (com Vida), o Plano Nacional Juventude e Meio Ambiente, dentre outras. Capitaneadas pelos ministérios da Educação e do Meio Ambiente tais ações situavam-se no reconhecimento crescente de uma preocupação ambiental presente entre os jovens brasileiros. Essa atenção dada por grupos juvenis aos problemas que afetam natureza, meio ambiente e sociedade foi também captada pela literatura acadêmica e identificada como um novo campo de participação política e de ação coletiva desses jovens, face ao desprestígio verificado com as formas tradicionais de fazer política. Entretanto, do ponto de vista das políticas públicas, há muito o que avançar quando se verifica a ausência de programas e de investimentos específicos nesse campo, sobretudo, quando se justificam cortes nos aportes financeiros para implementação ou continuidade de ações em contextos de crise econômica. Atrelado a isso, existem ainda poucos estudos em que a relação juventude e meio ambiente, principalmente, atinente aos jovens não ambientalistas, é problematizada para que assim se possa produzir conhecimento para subsidiar tais políticas. Por outro lado, o entendimento dos jovens como sujeitos de direito pressupõe considerá-los nas formulações de políticas públicas que procurem promover um ambiente saudável e equilibrado para as atuais e futuras gerações. Isto requer, em um primeiro plano, conhecer como os problemas socioambientais são percebidos pelos jovens e, em segundo lugar, reconhecer as demandas juvenis neste campo. Partindo dessas afirmações, o GT receberá trabalhos de comunicação oral (CO) que possam problematizar: a) experiências de grupos juvenis com a temática ambiental (Educação ambiental, mobilização comunitária, movimentos sociais); b) O enfoque da justiça ambiental aplicada à luta por direitos da juventude; c) participação de jovens em movimentos ambientalistas; d) questões teórico-metodológicas do estudo da relação juventudes e meio ambiente; e) envolvimento de jovens na produção sustentável de comunidades tradicionais; f) os jovens rurais no contexto da agroecologia; g) o resgate das experiências dos Coletivos de jovens e meio ambiente; h) análise das diversas conferências de juventudes e meio ambiente no Brasil; i) a participação dos jovens nos processos decisórios sobre o aproveitamento das oportunidades relacionadas ao uso dos conhecimentos tradicionais e do patrimônio genético de seus territórios. Acreditamos, desse modo, que a relação juventudes e meio ambiente tende a problematizar os jovens como atores políticos, suas formas de  mobilização e participação social, justificando a incorporação do presente GT ao eixo temático 6 – Juventudes e movimentos sociais.

 

Mobilizar, ocupar, participar, artistar, reinventar: o jovem como ator político e seus espaços de em(cena)ação

Coordenadorxs: Érika de Sousa Mendonça (Universidade de Pernambuco), Dandara Maria Oniilari Ferreira da Silva (UFPE), Jaileila de Araujo Menezes (UFPE)

A participação política ainda aparece nas reflexões acadêmicas de modo tradicional, sendo relacionada a vinculações político-partidárias ou a contextos institucionalizados e formais como os sindicatos e os movimentos sociais. Adotamos, contudo, uma noção ampliada entendendo que um sujeito, ao adotar uma atitude de desconfiança quanto a verdades instituídas, questionando-as, estará assumindo um posicionamento político, buscando a construção de um novo lugar frente àquele socialmente estabelecido e pactuado. Estará, portanto, participando politicamente. Acreditamos, ainda, que tal manifestação do posicionamento crítico e de resistência pode se expressar de diversas formas: pela via artístico-cultural, protagonizando ações de mobilização virtuais, através de ações coletivas como manifestações de rua ou ocupações de espaços públicos, tais como os movimentos recentemente vividos com expressividade por jovens estudantes brasileiros, em âmbitos educacionais. Por falar em jovens, cabe destacar que a participação é um exercício político que foi por muito tempo negligenciado à juventude, uma vez que esta categoria é historicamente excluída das arenas de participação, tal como reflete Castro (2008). A multiplicidade de vozes que se espera numa democracia pluralista fica, muitas vezes, restrita ao universo adulto e àqueles que apresentam um suposto saber. No contraponto a tal perspectiva, a proposta deste Grupo de Trabalho é privilegiar a partilha de experiências de jovens como sujeitos políticos em suas potências de transformação via participação.

Numa perspectiva semelhante à adotada por Pleyers (2012, p. 11), segundo o qual “todos os jovens não participam da mesma maneira e não têm as mesmas expectativas de participação”, este Grupo de Trabalho pretende reunir pesquisadores e jovens atores políticos no compartilhamento de suas experiências e reflexões sobre participação política juvenil, tema este de relevância numa sociedade cujas politicas públicas funcionam mais como práticas assistencialistas que como formadoras de sujeitos políticos que empreendem ações para si e para o coletivo. Pretende-se, desse modo, contribuir com a produção de conhecimentos do Eixo Temático “Juventudes e movimentos sociais”, problematizando a politização e participação juvenil a partir da comunicação de pesquisas e experiências construídas tanto no contexto dos movimentos sociais, quanto acadêmico. Para tanto, inspiramo-nos em autores que vêm refletindo a noção de política e político, como Jacques Rancière e Chantal Mouffe; que discutem a noção de resistência como estratégia de questionamento do poder, como Foucault; que problematizam a participação política juvenil, como Alberto Melucci e Lucia de Castro. Os trabalhos submetidos que tenham como foco a participação política juvenil em suas mais amplas possibilidades de expressão e contextos de em(cena)ação têm a potência de contribuir com as discussões que se pretende fomentar neste GT. Discussões teóricas ou – preferencialmente – empíricas, frutos de experiências pessoais ou de pesquisas acadêmicas, se escritas de forma clara e direcionadas à problematização proposta, serão acolhidas para compor nossos trabalhos.

 

Movimentos estudantis: invenções e reinvenções contemporâneas

Coordenadorxs: Miriam Soares Leite (Faculdade de Educação/Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Mylena Silva de Azevedo (COLÉGIO PEDRO II), Valéria Lopes Peçanha (COLÉGIO PEDRO II)

A crise política, econômica e institucional que vem abalando o país nos últimos anos é também o contexto no qual ganham visibilidade as atuações dos movimentos estudantis em resistência ao avanço de pautas neoliberais, como a precarização do trabalho, os cortes de verbas nos serviços públicos e o fechamento de escolas, mas também ao crescimento do fascismo, da misoginia e da lgbtfobia na sociedade em geral. Em todo o Brasil, as reivindicações pela educação pública ganham novo impulso com o ativismo de jovens estudantes, que também chamam a atenção pelas inovações que praticam no cotidiano das suas intervenções. Seja pela busca da horizontalidade nas relações que estabelecem entre si, pela atenção ao direito à diferença ou pelo uso das tecnologias digitais para a sua organização, trata-se de movimentos que estão a reinventar a participação política estudantil, em formato e conteúdo. Destaca-se, nesse processo, a aposta na indissociabilidade das demandas da diferença e da igualdade, que se expressa pela frequente preocupação desses movimentos com o combate às desigualdades socioeconômicas, simultânea ao engajamento em lutas contra as opressões de gênero, orientação sexual e pertença racial, sobretudo àquelas incorporadas em suas próprias vivências de ativismo. Nesse sentido, a reivindicação pela democratização da educação, em contraposição aos múltiplos autoritarismos incorporados e em processo de incorporação aos contextos educacionais, ganha novas dimensões, ao mesmo tempo em que reafirma direitos constitucionais há tempos negligenciados. Tendo em consideração a importância dessas ações para a intensa disputa que hoje se trava no país pelos rumos da nossa democracia, este GT abre espaço para o debate sobre as juventudes brasileiras que reivindicam a educação pública, organizando-se em escolas e universidades sob as formas de ocupações, grêmios, coletivos, associações e/ou partidos. Coordenado por uma professora universitária, uma professora da educação básica e uma ativista do movimento estudantil secundarista e feminista, o GT tem como objetivo reunir, compartilhar e debater relatos de experiência e de pesquisas acadêmicas, assim como reflexões ensaísticas acerca das várias questões teórico-políticas que se colocam nesse contexto, tais como: o ativismo juvenil em suas interfaces com processos educacionais; inovações dos movimentos estudantis contemporâneos quanto às suas formas de organização, atuação e preocupações políticas, com destaque para a frequente focalização de questões da diferença, tais como raça, gênero e orientação sexual, em articulação com problemáticas relativas à classe social; etarismo e processos de identificação da juventude, da condição de estudante e da escola; novas perspectivas teórico-político-metodológicas para a abordagem desses movimentos e questões, como, por exemplo, a desconstrução, os feminismos anti-essencialistas, o “cuir” (*queer), a interseccionalidade, entre outras. Serão aceitas propostas de comunicação oral que evidenciarem aderência política e temática às proposições deste GT, bem como consistência argumentativa e coerência textual, além de contribuição teórico-política às discussões em pauta. 

 

EIXO TEMÁTICO 07. Juventudes, gêneros e sexualidade
Debates em educação e saúde na perspectiva de diretos sexuais e direitos reprodutivos.

Coordenadorxs: Patricia Castro de Oliveira e Silva (UERJ), Daiana Roberta Silva Gomes (Universidade do Estado de Santa Catarina), Wendell Ferrari Silveira Rosa (UFRJ – NIPIAC)

Ainda que tenhamos vivido avanços no campo da sexualidade e dos direitos sexuais e reprodutivos, vivemos em uma sociedade onde a intolerância e resistência quanto ao reconhecimento e valorização das diferentes expressões em sexualidades e gênero são observadas cotidianamente. A questão se revela ainda mais pungente em relação às juventudes pois, neste caso, temos a intersecção com geração onde à heteronormatividade e desigualdade de gênero vigentes se somam contradições que permeiam as relações geracionais, relações desiguais de poder entre adultos/as e jovens com vistas à dominação e exploração, e ainda a desvalorização e marginalização das juventudes. Ademais, é preciso observar tais questões em perspectiva com a desigualdade social em que se constituem e vivem nossos/as jovens, onde classe socioeconômica, raça/etnia, dentre outros, ampliam vulnerabilidades. A presente proposta se vincula ao eixo temático Juventudes, Sexualidades e Gênero e se justifica, especialmente, levando-se em conta um panorama atual que parece caminhar em direção a retrocessos em Direitos Humanos, onde se ampliam cenários de homofobia, lesbofobia, transfobia, violência de gênero, recrudescimento de políticas e ações punitivas que tem reverberado em uma série de violações de direitos de adolescentes e jovens. Faz-se necessário pensar tais questões dentro de uma perspectiva de direitos sexuais e direitos reprodutivos como Direitos Humanos, estabelecendo uma rede de pesquisas e experiências realizadas no âmbito de esferas onde as juventudes se fazem (ou deveriam se fazer) especialmente presentes, tais como instâncias de educação e saúde. É importante o reconhecimento de que os processos discriminatórios e de violência contra expressôes diversas em sexualidades e gêneros tem lugar, muitas vezes, em espaços onde os/as jovens deveriam se sentir acolhidos/as e respeitados/as tais  como escolas, universidades ou serviços da rede de saúde. A vivência de tais processos resulta em agravos como sofrimento psíquico, vulnerabilidade ao uso abusivo de álcool e outras drogas; e também se reflete na desqualificação da atenção dispensada a essa população.

Neste Grupo de Trabalho, pretendemos promover a troca de experiências entre pesquisadores/as e profissionais que atuam em temas das juventudes, sexualidades e gêneros, em sua interface com educação, saúde e direitos sexuais e direitos reprodutivos, recebendo pesquisas e relatos de experiência de trabalhos em desenvolvimento ou concluídos para apresentação na modalidade Comunicação Oral. Particularmente, desejamos debater trabalhos que abordem a gravidez não planejada, aborto, violência sexual, diversidade sexual e uso de álcool e outras drogas em interelação com sexualidade, gênero e direitos, identificando as principais perspectivas teóricas, metodológicas e intervenções realizadas. E ainda, potencialidades e desafios com relação a esses temas, especialmente em espaços educacionais como escolas, universidades, unidades do sistema socioeducativo, movimentos de juventude e coletivos e/ou em serviços da rede pública de saúde, dentre outros.

 

Gênero, sexualidades e corpo: desigualdades, (pre)conceitos e transgressões juvenis

Coordenadorxs: Alexandre Martins Joca (Universidade Federal de Campina Grande), Elias Ferreira Veras (UECE), José Batista de Souza

No Brasil, somente nos últimos 15 anos, tem-se realizado esforços em apreender os elementos implicados nos processos sócio educacionais de formação da juventude com foco nas temáticas de gênero e orientação sexual, de modo que, nas últimas décadas, estudos e pesquisas sobre juventudes, gênero e sexualidades tem revelado os modos – singulares e plurais – como esses sujeitos vivenciam e (res)significam, na contemporaneidade, as questões de gênero e sexualidades. Historicamente, a família, a escola e a igreja acionam dispositivos de gênero e sexualidade a partir de uma perspectiva essencialista, centradas na dimensão reprodutiva e biológica. No entanto, os estudos sobre sexualidades juvenis tem observado que o(a)s jovens experienciam ou aproximam-se de experiências afetivo/sexuais que rompem com a conduta heteronormativa e ressignificam identidades sexuais. Os arranjos afetivo/sexuais juvenis constituídos a partir de contextos situacionais e relacionais, mesmo quando recorrem às amarras normativas hegemônicas, incitam e interpelam suas prerrogativas. Dessa maneira, os diversos conflitos, contradições e enfrentamentos socioculturais contemporâneos em torno de experiências afetivo/sexuais juvenis, oriundos da vivência e experimentações de orientações sexuais diversas, para além da norma heteronormativa, evidenciam a relevância da temática aqui proposta. Na perspectiva de fomentar o debate acadêmico sobre tais questões, este grupo de trabalho pretende reunir estudos e pesquisas (teóricos e/ou empíricos, finalizados e/ou em realização) sobre (e com) jovens com ênfase nas questões de gêneros, sexualidade e corpo. Os marcadores corporais juvenis tomam, nesse campo, singular relevância, pois, os jovens se utilizam, entre outros, do artifício da imagem corporal para a anunciação de sua existência, em meio a múltiplas identificações e experimentações de si. Assim, os processos de produção da estética corporal juvenil, ou as formas de marcação do corpo, são elaborados pelos jovens, considerando, entre outros elementos, negociações com marcadores de gênero e sexualidades. Tomaremos como referência teórica as epistemologias elaboradas no âmbito da sociologia da juventude e dos estudos sobre sexualidade e gênero, especialmente, os saberes acerca dos processos de  ressignificação, modificação e reconstrução do corpo empreendidos pelo(a)s jovens em seus processos formativos, sejam aqueles vividos nos espaços de institucionais (família, escola, igreja), nas relações não pares, sejam os empreendidos nos demais espaços de sociabilidades juvenis, entre pares. Desse modo, as desigualdades, os (pre)conceitos e as transgressões das fronteiras sexuais e de gênero, frente a diversidade sexual e às sexualidades de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT’s), são questões estruturantes desse campo de estudo. A consistência teórica, a relevância dos temas e seu caráter inovador serão os critérios de avaliação dos trabalhos submetidos.

 

EIXO TEMÁTICO 08. Juventudes, artes e cultura
A dimensão coletiva das práticas culturais juvenis

Coordenadorxs: José de Souza Muniz Júnior (Universidade Estadual do Ceará), Lucas Amaral de Oliveira (Universidade de São Paulo), Maria Carolina de Vasconcelos e Oliveira (Cebrap)

As últimas décadas testemunharam o surgimento de instâncias coletivas de produção e difusão de obras artísticas protagonizadas por frações variadas da juventude brasileira. Dentre elas, chamam a atenção: festivais de cinema, teatro e dança; feiras de fanzines, livros de artista e outras publicações; saraus literários e batalhas de poesia (slam); espaços e centros independentes de arte e música; coletivos artísticos e outras redes descentralizadas de trabalho intelectual. Tais iniciativas se desenvolvem atreladas a espaços diversos de sociabilidade, contando, por vezes, com o incentivo do Estado, de ONGs ou outras institucionalidades (públicas ou privadas) interessadas em seu desenvolvimento, consolidação e continuidade.

Este Grupo de Trabalho, de caráter interdisciplinar, receberá propostas dedicadas a compreender práticas artísticas, culturais e intelectuais da juventude brasileira em sua dimensão coletiva. O objetivo é congregar pesquisadores, educadores e produtores dedicados a analisar práticas e estratégias coletivas de ação cultural e de criação estética, mobilizando diferentes conceitos e enquadramentos analíticos para entender as formas de conexão intersubjetiva (grupo, agrupamento, coletivo, coletividade, turma, fração, geração etc.) e os espaços objetivos nos quais tais práticas se desenvolvem (tribo, subcultura, cena, circuito, rede, mundo, campo etc.). Nessa medida, pretende-se fomentar tanto a discussão sobre as condições de possibilidade dessas práticas no contexto contemporâneo, quanto o resgate e a análise da produção cultural coletiva de outras épocas, com destaque para o papel do segmento juvenil na introdução de mudanças no panorama artístico brasileiro.

Embora o foco seja a produção cultural (objeto do Eixo Temático 8 do JUBRA 2017), o GT se propõe a fomentar discussões sobre as relações dessa experiência com outros âmbitos da vida juvenil, contemplados por outros eixos do encontro: a relação entre ócio, lazer e mundo do trabalho, com destaque para a questão da profissionalização do jovem artista (Eixos 4 e 10); as relações de classe, gênero e etnia vigentes nessas práticas e/ou o tratamento dessas questões na produção estética dos coletivos (Eixos 1 e 7); o desenvolvimento de práticas artísticas por jovens estudantes, militantes, devotos, pertencentes a contextos de vulnerabilidade social ou em conflito com a lei (Eixos 2, 6, 9 e 11).

Nesse sentido, o GT aceitará dois tipos de contribuição: (1) relatos de pesquisa que abordem práticas, estratégias, trajetórias e experiências, individuais ou grupais, implicadas nessas iniciativas, desde que remetidas à sua dimensão coletiva; (2) relatos de experiência de artistas, educadores, produtores e mediadores culturais envolvidos com essas práticas, bem como de formuladores e executores de políticas relacionadas ao seu fomento.

Serão considerados, como critérios de seleção: o caráter reflexivo e crítico das propostas; o vínculo consistente e inovador das análises teóricas e empíricas aos estudos sobre o tema; sua contribuição à formulação de políticas públicas voltadas à produção cultural juvenil; e a diversidade regional e institucional dos participantes.

 

Expressividadades juvenis e suas relações com a música

Coordenadorxs: João Bittencourt (ICS – UFAL), Amaudson Ximenes Veras Mendonça (Pesquisador), Marco Aurélio Paz Tella (UFPB)

A presente proposta tem como objetivo reunir atividades que tenham como eixo discursivo a interface entre juventude e música. A preocupação em torno dessa relação ganhou força a partir da segunda metade do século XX, com o desenvolvimento dos chamados estudos culturais, pesquisas desenvolvidas no Centre for Contemporary Cultural Studies, da Universidade de Birminghan, Inglaterra. Pesquisadores/as como Stuart Hall, Paul Willys e Angela McRobie, são alguns dos nomes que contribuíram de maneira significativa para a visibilidade das práticas culturais juvenis, onde a música e a performance assumiram papel decisivo. Naquele momento as chamadas subculturas eram percebidas como expressões estilizadas de um pertencimento de classe, ou seja, a gramática linguística e corporal dos jovens punks, rockers e skinheads era devedora direta de uma posição ocupada por estes na estrutura social mais ampla. A partir dos anos 90, essa abordagem passou a receber inúmeras críticas, tais como a supervalorização do indicador classe social em detrimento dos demais – como gênero e raça – demasiada “politização” das práticas subculturais sem a devida contextualização histórica e a opção por modelos teóricos generalizantes, sem uma compreensão dos sentidos articulados pelos próprios jovens a partir dos seus diversos pertencimentos. Com intuito de superar essas limitações, surge uma outra vertente inspirada por pressupostos teóricos advindos da Sociologia do gosto de Pierre Bourdieu, da teoria da performatividade de Judith Butler e do conceito de tribalismo desenvolvido por Michel Maffesoli; empreendimento que acabou se tornando conhecido como estudos pós-subculturais. Pesquisadores/as ligados a essa vertente defendem que é preciso buscar uma reavaliação da relação entre juventude, música, identidade e estilo de vida em um contexto social histórico marcado pela tensão entre o global e o local.  Independente da guerra de argumentações travada entre os partidários de ambas as vertentes, concordamos que na contemporaneidade a música passou a ter um papel decisivo na constituição do ser jovem, fazendo parte do cotidiano de garotos e garotas das diversas partes do país, das diferentes classes, territórios, gêneros e estilos de vida. A música, mais do que um elemento constitutivo do lazer vivenciado por indivíduos jovens, assume um papel crucial na vida cotidiana e na produção das subjetividades juvenis, fomentando gostos, escolhas profissionais e posicionamentos políticos. Nesse grupo de trabalho serão acolhidas comunicações orais – que resultem de pesquisas concluídas ou em andamento, como também relatos de experiência ou produção artístico-cultural –  que abordem questões como: o papel da música nas formações identitárias e na produção de sociabilidades, a música como fio condutor dos novos  horizontes profissionais da juventude, a música como expressão de resistência cultural, entre outros.

 

Juventude, arte urbana e formas de cidadania insurgente

Coordenadorxs: Hildon Oliveira Santiago Carade (IFBaiano), Jose Lucivan De Sousa Silva, Roselene Cassia de Alencar Silva (UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA)

Artes urbanas tais como o grafite, a pichação, o break, o funk e o rap nos remetem a uma interlocução com o conceito de juventude ou juventudes. Estas expressões artísticas tornam visíveis maneiras peculiares de comunicação juvenil, bem como se apresentam enquanto formas de protesto de grupos subalternos e plataformas para estabelecimento de status e notoriedade grupal. Quase sempre estas expressões são oriundas das periferias urbanas, locais onde a degradação e a criatividade se irmanam, configurando-se, assim, como o locus privilegiado da inovação nas grandes metrópoles. Não têm sido poucas as reflexões nos âmbitos político, artístico, jurídico e educacional que objetivam a compreensão das causas e motivações para esses fenômenos, não raro com o intuito de reprimir ou controlar essas ações. Entretanto, a relevância destas expressões tem sido afiançada a partir do seguinte debate: se elas podem ser consideradas ou não como arte. Por si só, tal polêmica já baliza nossa justificativa para a confecção deste GT, articulando-o ao oitavo eixo temático “Juventudes, artes e cultura”. Porém, nosso objetivo, ao já colocar no título o termo “arte urbana”, é não apenas tomar uma posição neste quiproquó, em sustentando o lugar da cultura da periferia no universo artístico, mas também reafirmar o seu potencial político. Se, por um lado, pela mirada acadêmica, ficaria difícil postular um espaço para estas ações na etiqueta das belas artes, por outro, uma vez que elas possuem autores, uma escrita e uma poética, bem como um público-alvo, não há como lhes negar o seu potencial de produção simbólica, o que nos coloca mais uma vez no terreno do debate entre cultura erudita versus cultura popular. Do ponto de vista dos jovens, podemos afirmar que estas manifestações articulam questões acerca de qual tipo de cidade queremos ter. Tal questionamento, por seu turno, não pode estar dissociado de saber qual tipo de vínculo social, de relacionamentos com a natureza, com os equipamentos urbanos e com o patrimônio público, valores estéticos e tecnologias nós desejamos, o que seria, nos termos de Harvey (2012), a demanda de um direito à cidade. De acordo com ele, tal direito é muito mais que a liberdade de ter acesso a determinados recursos urbanos; é um direito de mudar a nós mesmos, a partir de mudanças na cidade. Assim, observamos na pichação, no grafite, no rap, no funk, no break, dentre outros, a emergência de uma cidadania insurgente (Holston, 2008) que tem as grandes cidades como locus e objeto de apropriação, espaços onde irrompem lutas que demandam o acesso a direitos, que questionam privilégios historicamente dados a certos estratos sociais, bem como reconfiguram as noções de público e privado. Assim, fará parte deste GT todos os trabalhos que façam esta articulação entre cultura da periferia e formas de cidadania insurgente, destacando a componente de resistência política imanente a estas manifestações. Tais trabalhos devem ser empiricamente embasados, a partir de diversas metodologias qualitativas (estudos de caso, etnografias, biografias, entrevistas, dentre outras), podendo estar tanto em estágio inicial, quanto mais avançado, de pesquisa.

 

EIXO TEMÁTICO 09. Juventudes, espiritualidade e religiosidade
Culturas Juvenis Católicas

Coordenadorxs: Flávio Munhoz Sofiati (Universidade Federal de Goiás), Carmem Lucia Teixiera (REDE DE EDUCAÇÃO PUBLICA DO ESTADO DE GOIÁS), Silvia Regina Alves Fernandes (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)

O CENSO de 2010 aponta que houve pela primeira vez no Brasil a diminuição no número absoluto de fiéis católicos, passando de 125 milhões para 123 milhões de adeptos. O declínio católico ocorre em vista dos processos modernos de liberdade de escolha. Todavia, uma visão sócio-histórica evidencia que o catolicismo deixou de ser a “religião dos brasileiros”, mas é ainda a “religião da maioria dos brasileiros”. Os números também mostram que mais de 90% da população brasileira adere a um credo religioso em um universo de multiplicidade de ofertas e liberdade de escolha. Há o esvaziamento das instituições religiosas tradicionais em um processo de “desinstitucionalização” das religiões e, no caso brasileiro, até mesmo um processo de “mutação sociocultural”. Com o advento da liberdade religiosa no espaço público moderno, o catolicismo perde em números mas ganha em participação ativa, principalmente com as vertentes da teologia da libertação e da renovação carismática. Isso pelo fato de haver no atual contexto a intensificação de uma “adesão pessoal” em que a tradição pode ser acionada, mas não é determinante no momento da escolha. Com o fim do monopólio católico e a expansão do que temos denominado pluralização da vida social, ocorre no Brasil a diversificação do próprio modo de ser católico. O catolicismo tem um potencial de incorporar a diversidade, porém ela não é nova no contexto nacional, sendo constitutiva do próprio catolicismo. A novidade está no grau de diversificação “dentro de uma única igreja sob uma única liderança”, isto é, o novo é a dimensão da diversidade no contexto contemporâneo. Mais recentemente os pronunciamentos do papa Franciso e a midiatização das Jornadas da Juventude contribuem no processo de revisão institucional com impactos para as formas de adesão a esta tradição milenar. O segmento juvenil tem ganho destaque no campo católico seja por representar potencialmente o futuro da instituição; seja pela expansão das diferentes correntes de inspiração carismática que têm na juventude seu público alvo. Diante do exposto, este Grupo de Trabalho tem como proposta o diálogo em torno das culturas juvenis vivenciadas no interior da Igreja Católica. O objetivo é estabelecer um espaço de análise dos diferentes contextos de atuação da juventude e as transformações formuladas pelas novas gerações a essa instituição bem como o seu processo de recepção. Pergunta-se: como se estabelece o processo de rejeição, adaptação e inovação que os jovens realizam frente a seus pares? Que tipos de mediações institucionais são realizadas pelos jovens que se identificam com o catolicismo? A juventude que atualmente participa do catolicismo tem alterado a dinâmica institucional? De que modo?

Convidamos a todos a proporem comunicações que problematizem o papel juvenil no processo de atualização ou reformulação do catolicismo na sociedade brasileira marcada pela expansão das ofertas religiosas.

 

Juventudes e Religosidades de Matriz Africana: identidades, subjetividades e processos geracionais

Coordenadorxs: Sônia Regina Corrêa Lages (Universidade Federal de Juiz de Fora), Emerson Adriano Sill (Universidade Federal de Goiás), Wellington Cardoso de Oliveira (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIAS)

Apesar da diversidade étnica dos povos africanos presentes no Brasil, a violência do sistema colonial e a mestiçagem fizeram com que as referências de origem étnicas desaparecessem. Foi a pertença religiosa, até o final do século XIX, que se caracterizou como a referência mais importante para a identidade negra. Os terreiros, diferenciados pelas nações de origem africana, eram frequentados, majoritariamente, por pessoas negras, e com suas variantes rituais preservavam suas antigas etnias mesmo que de forma  sincrética.  O Candomblé, pois, não seria apenas uma reconstituição da religião africana no país, mas  a reconfiguração da comunidade africana que se perdeu na travessia do Atlântico Negro.   Apesar da contribuição do campo religioso afro-brasileiro à identidade cultural nacional, ele sempre foi alvo de preconceitos e discriminação, seja por parte da sociedade, pelas igrejas cristãs, pela mídia, o que perdura até os dias de hoje. Assim, os jovens   pertecentes às religiões de matriz africana, têm que lidar com o preconceito e a discriminação cotidianamente, em diferentes espaços, o que pode minar suas construções identitárias e afetar suas subjetividades. Se o jovem for negro, o preconceito que sofre é duplo, pois se acumula o de raça, o que pode ser denominado de racismo religioso, possibilitando que danos sejam causados às  identidades individuais, coletivas e à subjetividade de cada sujeito, à sua saúde mental e social. Um outro ponto a considerar é o que vem sendo apontado pelas lideranças das comunidades de terreiro quanto à pouca participação dos jovens na religião, o que se coloca como desafio para a manutenção dessa tradição religiosa. Essa baixa presença tem sido apontada, como sendo fruto da estigmatização que esse jovens sofrem ao assumirem a identidade religiosa, o que os leva a migrar para outrros territórios. Existe portanto, uma questão que se refere aos processos geracionais dentro do campo religioso afro-brasileiro. O campo religioso afro-brasileiro, pois,  tem significativa importância para a identidade cultural afro-brasileira, e por assim ser, estão incluídas nas Políticas de Promoção de Igualdade Racial que têm o objetivo de reverter a representação negativa dos negros, promovendo a igualdade de oportunidades e o combate ao preconceito, à discriminação e ao racismo no Brasil. Diante desse contexto, o GT Juventudes e Religosidades de Matriz Africana: identidades, subjetividades e processos geracionais, se adequa ao eixo temático Juventudes, espiritualidade e religiosidade, contribuindo para com o combate ao não-reconhecimento dessas religiosidade para com a cultura brasileira; tendo o objetivo de receber trabalhos que possibilitem reflexões sobre a participação dos jovens nos espaços das religiosidades de matriz africana, com os seguintes recortes: identidade; subjetividade; processos geracionais;  territórios da intolerância; fundamentalismos religiosos; participação social e política; preconceito e discriminação;  mídia; redes sociais.

 

Juventudes, Transformações Sociais e Religiosidade

Coordenadorxs: Maria Isabel Silva Bezerra Linhares (UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ (UVA)), Luziane Rodrigues Balbino (UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA), Nadja Rinelle Oliveira de Almeida (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC))

Algo que caracteriza os tempos em que vivemos no mundo de hoje, no Brasil e no mundo, é a magnitude e a velocidade das mudanças sociais que afetam diretamente as nossas juventudes. Modificações que conduzem os/as jovens a transitarem por vários contextos sociais, políticos, econômicos e culturais. Com isso, as juventudes se sentem convidadas para se conectarem com toda essa pluralidade promovida pelas transformações sociais ocasionadas principalmente pelo processo de globalização que gerou mobilidades urbanas e virtuais, através do uso da internet. Perante isso tem sido um desafio para os/as jovens vivenciarem sua condição juvenil, geralmente marcada pela inconstância, pela fluidez, pela descontinuidade presente neste cenário plural e diverso em que eles/as estão inseridos. Ao elegerem suas experiências, suas expressividades e os seus trânsitos pelo campo da Religião e da Religiosidade, é possível perceber como as juventudes buscam, nos espaços em que estão filiados, oportunidades para construírem suas sociabilidades, suas identidades sociais e políticas, seus pertencimentos, seus trânsitos pelo lazer. Neste sentido, acreditamos que a filiação e as práticas juvenis no interior das instituições religiosas, associadas às transformações sociais nos contextos da família, escola, universidade e grupos de amigos, suscitam diversas reflexões que precisam ser debatidas. Ao nos debruçarmos sobre as experiências juvenis no campo da religiosidade, vemos que, em suas práticas, os/as jovens procuram estabelecer suas relações com o sagrado, mas sem deixar de romper com as suas atuações políticas: na tentativa de lidar com o preconceito religioso presente nos discursos da mídia, nas práticas religiosas propostas pelas instituições às quais os/as jovens estão filiados, nos debates que geram entre os vários espaços de saber onde circulam, como a escola e a universidade. Sendo assim, cabe neste contexto compreender de que maneira as juventudes transitam nestas instituições e quais discursos e práticas conseguem elaborar ao vivenciarem sua condição juvenil no campo da religiosidade. Neste sentido, temos como proposta deste grupo de trabalho atrair discussões sobre pesquisas concluídas ou em andamento, cuja temática focalize ou inclua o fenômeno da Religião e da Religiosidade das Juventudes, dando ênfase ao conteúdo simbólico e performático de práticas e de experiências religiosas que ocupem essa cena plural e que poderá produzir rebatimentos sobre o espaço público. Portanto, esta proposta convoca pesquisadores que pretendam contribuir para o aprofundamento do debate sobre as transformações nas referências culturais e religiosas, dimensões importantes para compreender novos pertencimentos, ampliação das possibilidades de escolha e diferentes espaços de sociabilidade juvenil nos territórios onde moram os/as jovens que também estão conectados em redes virtuais.

 

EIXO TEMÁTICO 10. Juventudes e trabalho
Comportamento humano em organizações e jovens trabalhadores

Coordenadorxs: Kely Cesar Martins de Paiva (Universidade Federal de Minas Gerais), Alice Gerlane Cardoso da Silva (Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG), Milka Alves Correia Barbosa (Universidade Federal de Alagoas)

O objetivo do grupo temático será trocar informações a respeito do tema “Comportamento Humano em Organizações e Jovens Trabalhadores”, promovendo discussões integradas entre subtemas tradicionais e contemporâneos no âmbito do comportamento humano em organizações (CHO), incluindo e buscando ir além de modelos anglosaxões de se compreender pessoas com idades e faixas etárias diversas (gerações X, Y, Z, baby boomers). As pesquisas sobre CHO não são recentes, mas têm ganhado impulso no Brasil devido a diversos aspectos: na academia, as dificuldades em torno de delimitações conceituais e de campos de pesquisa têm privilegiado alguns temas em detrimento de outros e, em ambos os casos, contribuído para avanços nas políticas e práticas de gestão aquém de seu potencial, no interior das organizações; já nestas, percebe-se tanto o tratamento superficial e ideológico dessas questões como o despreparo dos responsáveis pela gestão de pessoas em lidar com os processos envolvidos, suas causas e conseqüências. Já as pesquisas com jovens trabalhadores são recentes no país, sendo este grupo considerado pela literatura internacional uma “”população especial””, um “”caso paradigmático”” de estudo, devido às suas idiossincrasias e aos precários contextos de trabalhos em que normalmente eles se inserem. Consideram-se jovens trabalhadores aqueles entre 14 e 26 anos de idade, jovens aprendizes (Lei do Aprendiz), formal ou informalmente contratados ou vinculados no mercado de trabalho. Além disso, jovens trabalhadores usualmente são vítimas de agressões e violência no ambiente de trabalho, podendo ser encaixados em “patologias da atividade”, “patologias da solidão e da indeterminação no trabalho” e patologias associadas “aos maus-tratos e à violência no trabalho”, conforme literatura da área. Diante disse, considera-se fundamental conhecer e discutir não apenas os resultados das pesquisas, mas também os aportes metodológicos que têm permitido aos pesquisadores se aproximarem dos fenômenos em foco, melhor delimitarem e aprofundarem nas temáticas, ampliarem as discussões e contribuírem para a difusão desse conhecimento, extremamente útil aos gestores e às organizações, especialmente as brasileiras, tendo-se em vista as mudanças no perfil etário da população, mas sobretudo útil aos próprios jovens, no sentido de conhecerem realidades de trabalho e percepções a seu próprio respeito, de modo a promover uma inserção mais consciente e autônoma.

A princípio, os temas focalizados são:

– Valores pessoais, profissionais, organizacionais e do trabalho;

– Comprometimento, entrincheiramento e vínculos organizacionais;

– Qualidade de vida no trabalho, estresse ocupacional e síndrome de burnout;

– Justiça organizacional e atitudes retaliatórias;

– Prazer e sofrimento no trabalho;

– Percepções temporais;

– Espiritualidade no trabalho.

Estudos comparativos entre jovens e profissionais mais maduros ou senis, além de outros que considerem aspectos críticos relacionados aos temas descritos também são bem vindos, assim como os de aportes metodológicos tradicionais e diferenciados e, também, outros que tangenciem os subtemas e sejam considerados pertinentes à temática principal.

 

Juventudes, trabalho e educação: políticas públicas, formação, qualificação profissional, pesquisa, protagonismo e experiências juvenis

Coordenadorxs: Ronaldo Marcos de Lima Araújo (Universidade Federal do Pará), Dayse Silva Dudley (UFRJ/COOPE), Gean Ferreira de Noronha (Universidade Federal do Pará)

A segunda metade do século XX foi marcada pela profunda transformação da sociedade capitalista; as invenções nas áreas de transporte aéreo, das comunicações e da eletrônica encurtaram as distâncias, aprofundaram assimetrias regionais e desigualdades sociais. No contexto amazônico, por exemplo, as diferenças entre as “colônias” produtoras de riquezas naturais e as nações imperialistas produtoras de riquezas tecnológicas se ampliaram significativamente, de modo que a Amazônia passou a despertar ainda mais os interesses dos grandes capitais estrangeiros.  As commodities  abundantes na Amazônia sofreram e sofrem taxações dos mercados externos na forma de financeirização do capital e a matéria-prima (commodities ou lastro da economia) passou a valer o que é determinado pelo mercado financeiro, ou seja, um dinheiro virtual que tem a variação do valor independente do trabalho material. Historicamente no Brasil os investimentos de projetos de desenvolvimento são elaborados pela pressão dos interesses do mercado internacional, ignorando as especificidades das juventudes e do trabalhador, como no caso da Amazônia. Especificamente na Região Norte ou Nordeste do país, os setores produtivos argumentam que há escassez de trabalhadores qualificados disponíveis no mercado e buscam alternativas com subcontratação de mão de obra em outras cercanias, mas, por outro lado, as políticas de formação ou qualificação profissional dos governos são pontuais, fragmentadas, estanques, desconectadas com as aptidões locais e alinhadas à demanda externa. A intenção desse Grupo de Trabalho (GT) no VII Simpósio Internacional obre Juventude Brasileira – VII JUBRA visa estimular o debate acadêmico e a reflexão crítica-propositiva em torno de programas, políticas, projetos, experiências de educação, formação e qualificação profissional que atenda as especificidades da juventude brasileira, em especial a amazônica e nordestina.   Num contexto em que o Brasil tem vivido complexas mudanças e rearranjos políticos em nível nacional, reformas educacionais que se confrontam com bandeiras históricas em defesa da educação pública e com fortes repercussões nos sistemas educacionais e cotidiano escolar, o protagonismo das juventudes se colocaram como um ponto de inflexão na onda conservadora que tem hegemonizado o país recentemente.  O presente GT pretende constituir-se como um fórum que possibilite e estimule o diálogo, a troca de experiências, a circulação da produção de conhecimento e de estudos relacionados ao crescimento sustentável da cadeia produtiva e de serviços, especialmente no contexto da Amazônia e do Nordeste brasileiro, contemplando ainda temáticas relacionadas à educação e ao mundo do trabalho, a exemplo do ensino médio integrado, trajetórias de escolarização e qualificação profissional no campo e na cidade, ensino médio e formação profissional em tempos de globalização; trabalho e educação em tempos de reformas no campo das políticas públicas; lutas e resistências das juventudes, da sociedade civil e movimentos sociais na perspectiva da garantia de direitos ao trabalho, educação e dignidade humana.

 

EIXO TEMÁTICO 10. Juventudes e trabalho
Trabalho e juventude: mobilidades, espacialidades e temporalidades – transformações laborais

Coordenadorxs: Cássio Adriano Braz de Aquino (UFC), Mariana Aguiar Alcântara de Brito (Universidade Federal do Ceará – UFC), Thais França da Silva (CIES-IUL)

A proposta do Grupo de trabalho é discutir as transformações do mundo do trabalho diante de aspectos que impliquem o movimento – fluxos migratórios e constantes mudanças; novos ambientes – físicos e virtuais; e, temporalidades – diferentes jornadas e formas de vínculo. Os principais efeitos dessas transformações são percebidos em grupos sociais específicos, com destaque especial para os jovens. São eles os principais afetados pela reconstituição dos novos referentes laborais, seja na dimensão do tempo, do espaço ou do movimento. Sabe-se que a reestruturação produtiva demarcou novos paradigmas no universo laboral com uma demanda de flexibilização dos processos. A flexibilidade, tal como destaca Garrido (2006), tem diversas faces, pode ser numérica (forma de vinculo), temporal (tempo de trabalho), geográfica e/ou produtiva (sistema de produção) e funcional (organização de trabalho). Se na sociedade salarial o emprego, como forma de trabalho, representava mais que uma forma de ingresso, mas um modelo de produção subjetiva, seu desmantelamento implica uma nova forma de produção do sujeito. A noção de flexibilidade está diretamente vinculada ao tripé que fundamenta a reflexão que deverá ser empreendida por esse grupo de trabalho, por implicar novos referentes de movimento, espaço e tempo. É dela também que deriva a ideia de adaptação às novas flutuações de demanda e oferta do mercado e que, embora sejam compreendidas como extremamente promissoras para o management, tem tido repercussões nefastas sobre os trabalhadores. A proposta do grupo centra-se principalmente na compreensão sobre os efeitos da flexibilização, em suas diversas faces, sobre os trabalhadores jovens. Se o discurso neoliberal reforça a proposta das organizações no seu viés competitivo, nosso intuito é direcionar o olhar sobre as consequências que os trabalhadores jovens sofrem com a disseminação desses novos paradigmas de mobilidade, espacialidade e temporalidade, presentes no ideário da flexibilização e que tendemos a ver como referentes dos processos de vulnerabilização social, com reforço da perspectiva da precarização laboral. Ressalta-se ainda, que sob essa perspectiva, os processos formativos e de inserção no mundo do trabalho têm na flexibilização um protótipo de organização de fluxos profissionais e acadêmicos pautados na ideia de individualismo e da competitividade. Diante de tais características é possível afirmar que há grupos mais susceptíveis a essa lógica e que acabam sendo mais atingidos por essa precarização, sendo os jovens um grupo de destaque. Tendo como parâmetro o movimento, o espaço e o tempo, o grupo se propõe a discutir os novos cenários e as novas formas de apropriação desse modelo de organização do trabalho que acaba impactando sobre a juventude e redefinindo o lugar de centralidade do trabalho na produção subjetiva e também nas suas interfaces com outros modos de ser jovem, seja no lazer, na formação e nas resistências ao empreendimento neoliberal.

 

EIXO TEMÁTICO 11. Juventudes e educação
EJA, juventude e direito a educação

Coordenadorxs: Elisangela Andre da Silva Costa (UNIVERSIDADE DA INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL DA LUSOFONIA AFRO-BRASILEIRA), Clarice Gomes Costa (UFC), Maria das Dores Alves Souza (Sindicato dos Docentes da UECE- SINDUECE)

A Educação de Jovens e Adultos (EJA), reconhecida como direito pela Constituição de 1988 (BRASIL, 1988) e como modalidade de ensino pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –  LDB nº9394/96 (BRASIL, 1996), se apresenta, ao longo de sua constituição histórica, como espaço de luta pelos direitos sociais dos jovens e adultos que não tiveram, em decorrência das mais diversas situações, oportunidade de ingressar na escola, ou de concluir seus estudos.

Ao longo das últimas décadas, a educação foi apresentada, em âmbito internacional, como peça fundamental para a solução dos problemas sociais e econômicos existentes, passando a ter papel estratégico na inserção de países periféricos em lugar de destaque no cenário econômico internacional e inclusão nos blocos hegemônicos internacionais. Assim, os diferentes compromissos assumidos entre países induziram o desenvolvimento de políticas educacionais que dessem materialidade às propostas apresentadas em documentos como a Declaração Mundial sobre Educação para Todos (JOMTIEN,1990); e Declaração de Dakar – Educação para Todos (DAKAR, 2000) e mais recentemente Declaração de Incheon e Marco da Educação: Rumo a uma educação de qualidade inclusiva e equitativa e à educação ao longo da vida para todos (INCHEON, 2015).

São inegáveis os avanços da democratização do acesso da população brasileira à educação nas últimas décadas. No entanto, o pouco progresso no processo de redução do analfabetismo, a queda vertiginosa das matrículas de EJA e a juvenilização de seu público precisam se problematizadas e discutidas, de modo que seja possível compreender os limites e as possibilidades das experiências educativas vivenciadas nesta modalidade de ensino e avançar, coletivamente, na garantia do direito à educação.

É necessário compreender a dinâmica de inclusão / exclusão dos jovens e adultos nos processos de escolarização. Para tanto, é imprescindível o movimento de valorização e reconhecimento da identidade dos sujeitos da Educação de Jovens e Adultos, marcadas por processos de exclusão diversos e que os impedem de Ser Mais (FREIRE, 1987), de desenvolverem criticamente seus potenciais e participarem de maneira mais ativa da construção de sua própria história (ARROYO, 2005).

Dentro deste contexto, o presente GT pretende constituir-se como um círculo de cultura que possibilite diálogos, trocas de saberes e experiências sobre EJA, juventude e direito a educação, alinhado com a proposta do Eixo Temático juventudes e educação. O GT se constitui, portanto, como espaço dialógico de construção coletiva de conhecimentos acerca da temática proposta e, também de mobilização de sujeitos e instituições em torno da defesa da educação como direito humano e das diversidades como expressões autênticas das diferentes culturas e vivências que se apresentam no contexto da EJA e fazem desta modalidade de ensino uma oportunidade de fortalecimento da identidade e da autonomia dos sujeitos, visando a ampliação de suas possibilidades de emancipação.

 

Juventudes e educação básica: o ensino médio em questão

Coordenadorxs: Miriam Fábia Alves (Universidade Federal de Goiás), Cláudia Valente Cavalcante (PUC Goás), Maraiza Oliveira Costa (IFG)

O Grupo de Trabalho “Juventudes e educação básica: o ensino médio em questão” objetiva debater o tema sobre as juventudes e educação básica, focalizando o ensino médio enquanto etapa de formação dos adolescentes e jovens no Brasil, bem como as políticas educacionais, as experiências de ensino médio, os modelos formativos e os movimentos dos secundaristas nas últimas décadas. A proposição do Grupo de Trabalho com esse enfoque se apresenta no momento em que a reforma do ensino médio, proposta pelo governo federal, por meio da Medida Provisória n. 746/2016, acabou de ser aprovada no Congresso Nacional, sem o necessário debate com a sociedade civil, e em meio a muitas críticas quanto ao modelo de ensino médio a ser implementado. Dentre as críticas destacamos o foco nas alterações curriculares e nas trajetórias formativas dos jovens, que enfraquecem a formação geral em nome de uma oferta diversificada e focada nas ênfases formativas, mas não propõe medida efetiva alguma para alterar as condições de oferta do ensino médio nas redes estaduais, responsáveis majoritariamente pela oferta dessa etapa da educação básica, no que tange à infraestrutura das escolas; à carreira, remuneração e valorização dos professores; à garantia da atuação dos docentes em sua a área de formação; ao incentivo a projetos educacionais que possam melhorar a atratividade e a permanência dos jovens na escola. Em que pese o debate em torno da Medida Provisória retomar problemas históricos do ensino médio, tais como: a obrigatoriedade e universalização da oferta; acesso, permanência e conclusão dessa etapa; as concepções de formação das juventudes pelos diferentes sujeitos que disputam o projeto educacional brasileiro, constata-se que está em curso um projeto educacional que retoma a velha dualidade entre uma formação para os trabalhadores e outra para as elites, uma vez que a reforma promove um esfacelamento da formação geral e insiste numa lógica de verticalização, por meio das ênfases formativas, o que torna ainda mais fraca a formação dos jovens.  Por outro lado, as juventudes foram novamente ignoradas, seus movimentos duramente reprimidos e suas discussões e reivindicações acerca da escola que desejam não foram acatadas. Ao contrário, em nome da falta de interesse dos jovens, a reforma foi apresentada e votada à revelia do que espera o jovem do ensino médio e o governo federal tem veiculado propagandas sobre os benefícios da reforma para os jovens. Nesse sentido, o grupo de trabalho se propõe a dar relevo ao debate, mas também às narrativas dos jovens sobre a escola que querem e para isso, pretende receber trabalhos que problematizem as experiências juvenis nessa etapa da educação básica, a proposição e a materialização das políticas educacionais no Brasil, bem como as juventudes tem se posicionado frente a essas políticas, intervindo em sua proposição e materialização. 

 

Juventudes no ensino superior: sistemas de cotas, pobreza e ruralidade

Coordenadorxs: Verônica Morais Ximenes, Alexsandra Maria Sousa Silva (Faculdade Luciano Feijão (FLF)), Márcia Kelma de Alencar Abreu (UFC)

A implementação do sistema de cotas a partir da Lei nº 12.711/ 2012 legitimou a ampliação significativa do acesso dos jovens pobres, negros e indígenas nas instituições superiores de ensino federal e impulsionou a implantação dessa política nas universidades públicas, consolidando o já crescente planejamento desta estratégia de acesso aos grupos minoritários em várias universidades brasileiras, conquista das lutas dos movimentos sociais pelas políticas afirmativas. A educação superior deve considerar as necessidades sociais e ser elo de diminuição das desigualdades construídas na história da sociedade brasileira, constituindo-se enquanto política pública a favor dos marginalizados e discriminados. Diante desse recente cenário, a juventude assume novos e diversos desafios, construindo-se como protagonista no cenário social e político em que, fortalecido por suas conquistas, passa a lutar por melhores condições de vida, entre estas, a busca por acesso a cultura, esporte, lazer, formação e profissionalização, com destaque cada vez maior, para seu acesso ao ensino superior. Portanto, este GT encaixa-se no eixo 11 – Juventudes e Educação, por apresentar novos desafios à escolarização da juventude, enfatizando a educação superior e a permanência na universidade pública a partir de uma perspectiva democrática e inclusiva. Ao considerar que acesso e permanência são processos complementares para a efetiva democratização do Ensino Superior, se propõe a discutir e problematizar questões decorrentes da permanência material e simbólica, considerando a construção dos novos perfis dessas juventudes nas universidades, incluindo jovens pobres, jovens rurais, jovens indígenas, jovens pardos e pretos, jovens vivendo com deficiência, etc. Os problemas relacionados ao deslocamento dos muitos jovens do contexto rural para a capital propiciam questões que precisam de discussão também sobre o tema da ruralidade Nesse sentido, buscaremos promover o diálogo entre pesquisadores, estudantes, profissionais e movimentos sociais, considerando os desafios e enfrentamentos problematizados. Para tanto, receberemos trabalhos nos formatos: comunicação oral, relatos de experiências e apresentações artísticas/culturais, a fim de possibilitar a troca de experiências a partir da utilização das diversas linguagens da juventude.  Assim, propomos a interlocução acerca das seguintes questões: dificuldades financeiras; defasagem na escolarização básica; migração e mobilidade para os centros urbanos; dificuldades de adaptação; saúde mental; preconceito; discriminação; violência; vergonha e humilhação; apoio social; resiliência e fortalecimento; aprendizagem cooperativa; atendimento psicológico, psicossocial e psicopedagógico; processos de integração grupal; inserção em programas de iniciação à docência, extensão, pesquisa e ensino; conciliação entre trabalho e estudo; residência universitária e demais políticas institucionais da Assistência Estudantil e outros. Este GT utilizará os seguintes critérios de avaliação: estilo de escrita, relevância da temática, adequação à proposta do GT e fundamentação teórico-metodológica.

 

EIXO TEMÁTICO 12. Juventudes, consumo e novas mídias
Juventudes e circuitos culturais-midiáticos na era digital

Coordenadorxs: Ana Luiza Coiro Moraes (FACULDADE CÁSPER LÍBERO), Adriana Medeiros Gonçalves de Araujo (Faculdade Casper Libero), Letícia de Sousa Campos Sento Sé (Faculdade Cásper Líbero)

Dada a centralidade dos processos e produtos culturais veiculados via mídias e redes sociais digitais nas práticas de lazer, de estudo, de trabalho e de sociabilidade da juventude contemporânea, é objetivo deste GT inserir-se no debate acerca das formas de comunicação e apropriações de fenômenos e artefatos midiáticos, que estabelecem novas relações de consumo e de entretenimento entre os jovens, repercutindo na construção das subjetividades contemporâneas. Trata-se de promover reflexões sobre os novos espaços de comunicação e interação entre os jovens, que surgem de conexões tecnológicas e atuam sobre sua ideia de pertencimento, de laços sociais e de identidade cultural.

A atual profusão de telefones celulares, smartphones, tablets etc. indicam um tipo de tecnologia de reprodutibilidade que contemporaneamente se exacerba em redes de distribuição de conteúdos. As novas plataformas digitais passam a permitir que virtualmente qualquer usuário possa ser, também, produtor de conteúdos. O significado dessas mudanças de ordem tecnológica não pode ser subestimado na esfera do consumo, eixo do circuito cultural-midiático onde se completa a produção de sentidos, especialmente porque mais do que a incorporação de novas tecnologias, tais transformações influenciaram as habilidades dos receptores, sobretudo os jovens, agora aptos para a criação de conteúdos e capazes de transitar em diversas plataformas.

Neste sentido, tendo em vista as novas configurações das práticas comunicacionais e as possibilidades de convergência de diversas mídias na ambiência digital, bem como a reflexão que tais práticas suscitam, tanto no âmbito do mercado de comunicação, onde se inserem as novas relações de consumo e de entretenimento dos jovens, quanto em ações de sociabilidade mediadas pela interconexão de computadores, interessa a este GT debater pesquisas e experiências de produção, circulação e consumo de conteúdos na era digital.

a) produção de conteúdos e apropriações diversas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), bem como das redes sociais digitais,

b) produção de conteúdos veiculados por mídia on-line (redes de computadores), off-line (CD-ROM, DVD) e/ou por dispositivos de comunicação sem fio, como celulares e outros gadgets, que apontam para processos, formas, técnicas e experiências precursoras de comunicação social;

c) abordagens teóricas, metodológicas e empíricas na interseção dos fenômenos comunicacionais com as mídias digitais

d) novas formas produção e recepção de conteúdos na ambiência digital, que surgem das possibilidades de convergência tecnológica entre diferentes plataformas (crossmedia, transmedia);

e) processos subjetivos, cognitivos, materiais, estéticos, bem como práticas artísticas e de entretenimento nas redes sociais digitais;

f) produtos e processos jornalísticos, publicitários, de serviços, entretenimento e de interesse público desenvolvidos em diferentes plataformas digitais como TV e rádio digital, cinema digital, celulares, games, Palms e/ou computadores;

g) dinâmicas emergentes da presença das mídias e redes digitais nos diversos âmbitos da cultura juvenil contemporânea.

 

Juventudes e novas práticas de leitura: suportes, mídias e cidade

Coordenadorxs: Maria Isabel Mendes de Almeida (UCAM | PUC-Rio), Fernanda Deborah Barbosa Lima (IFRJ), Thaís Costa da Silva (UERJ)

A intensa circulação de textos em telas de celulares, computadores, tablets e leitores digitais geralmente não é considerada nos estudos que pensam as práticas de leitura. Por outro lado, desinteresse pela leitura, alheamento à realidade e fixação por novas tecnologias são lugares comuns facilmente atrelados à juventude contemporânea. Em consonância com a necessidade de mudar a pergunta em torno de “quanto se lê” para a problemática de “como se lê”, é preciso ampliar o espectro de dispositivos, plataformas e seus usos a serem considerados nesses estudos, seja no âmbito virtual ou no livro impresso.

Sob esta perspectiva, propomos a reflexão a respeito do caráter híbrido e por vezes fragmentado da circulação de informações em um contexto de mobilidades e deslocamentos que implicam em reinvenções tanto da cidade quanto do espaço íntimo hermético naturalizado como lócus da experiência de leitura. Interessa-nos debater como essa experiência pode propiciar o acesso a tempos e  espaços outros e ser mobilizada pelo desejo de encontro e  compartilhamento com outros leitores.

São bem-vindos análises, ensaios, relatos de experiências e intervenções literárias que dialoguem com a temática do GT. Nossa atenção não se restringe ao livro, contemplando outros artefatos literários – zines, gibis, instalações – e experiências e práticas de compartilhamento onde se imiscuem vídeos na internet, clubes de leitura e coletivos de jovens escritores. Em paralelo, nos interessa promover reflexões que se proponham a perceber em que medida os diferentes modos de estar face a face dos jovens remetem ou não ao estereótipo do leitor solitário e antissocial que se refugia da agitação da urbe.

O interesse do Grupo de Trabalho envolve formas de interação impulsionadas tanto por plataformas e mídias virtuais – como Youtube, Facebook, Wattpad, Skoob e Medium – quanto por ocupações sutis e significativas do tecido urbano, que se valem de bibliotecas livres, ninhos de livros em pontos de transporte público, saraus e intervenções poético-visuais em torno da celebração da leitura no ambiente da cidade.

Entendemos que essas ações e comportamentos evidenciam mobilidades em seus vários aspectos. Não somente englobam a circulação de livros e de indivíduos, como também outros espectros ressaltados por Urry (2007), como as mobilidades imaginativa, virtual e comunicativa. Os atores envolvidos, dotados de mobilidade, também reproduzem narrativas em diferentes plataformas, associando-se ao fenômeno transmedia storytelling descrito por Jenkins (2003).

Ainda que este campo de estudo já tenha sido explorado ao longo de décadas por teóricos reconhecidos, como Chartier e Darnton, há muito a refletir sobre as novas percepções em torno da leitura e do livro em suas variadas formas. As frequentes transformações que envolvem esses aspectos denotam a necessidade de um acompanhamento contínuo deste cenário, que possibilite viabilizar um espaço de interlocução com os mais diversos agentes a respeito das relações existentes entre os jovens e a leitura no contexto da cultura digital.